Para avaliar e fazer projeções sobre a rentabilidade dos ativos imobiliários, muitas variáveis são levadas em conta pela Cushman & Wakefield para explicar a dinâmica de juros e inflação. Um indicador fundamental para a composição da inflação futura é a taxa de desemprego, particularmente quando se trata do setor de bens não comercializáveis (que não são impactados diretamente com a taxa de câmbio) – como serviços.

Quando o desemprego é alto, o poder de compra da população diminui, dificultando o aumento nos preços. No cenário oposto, ou seja, com uma taxa de desemprego mais baixa, mesmo que com um índice de inflação mais elevado pelo aumento do consumo, essa correlação negativa de poder de compra e desemprego é preservada. “No longo prazo, taxa de desemprego em nível neutro deve contribuir para diminuir a pressão sobre inflação, tornando possíveis taxas de juros nominais e reais menores também. E as taxas de juros reais menores levam naturalmente a uma diminuição da exigência de retornos sobre os ativos imobiliários, comprimindo cap rates”, afirma Gustavo Garcia, Head de Pesquisa e Inteligência de Mercado para América do Sul.

Segundo Garcia, as projeções de longo prazo da Cushman & Wakefield levam em consideração o alcance desse novo equilíbrio entre juros, inflação e desemprego. “Projetamos que a taxa de desemprego fique estabilizada no patamar de 10% até 2024/2025. Assim, a criação de novas vagas de trabalho em escritórios certamente aumentará os níveis futuros de absorção até as taxas gerais de vacância do mercado de ativos das Classes A e A+ (região CDB) chegarem a níveis próximos de 12% no período 2021/2022”, finaliza Garcia.