O que mais se ouve e se lê sobre avaliação de ativos residenciais é que os preços estão se retraindo e o mercado está desaquecido para lançamentos e comercialização de unidades. Porém, a realidade pode ser vista por uma perspectiva um pouco mais positiva se analisada como o retorno na normalidade dos preços após um período de especulação acima da média. A análise é da equipe de Avaliações do escritório de São Paulo da Cushman & Wakefield.

shutterstock_190775483Os dados atuais demonstram que os imóveis residenciais usados estão sendo comercializados com descontos que podem chegar a 20% ou 30%, margem nem sempre alcançada em unidades novas. De acordo com Joana Silva, gerente Sênior de Projetos Especiais da Cushman & Wakefield, as incorporadoras não podem ou não precisam ceder tanto aos descontos quanto os proprietários pessoa física, pois há aspectos do próprio negócio que justificam aguardar mais tempo pela comercialização das unidades remanescentes. Já o proprietário pessoa física, muitas vezes, por endividamento ou necessidade de se desfazer do imóvel mais rápido, acaba cedendo mais facilmente.

“O atual momento econômico do país também contribui para que os valores pedidos se ajustem para baixo, com a dificuldade de crédito, o desemprego e a instabilidade política. Mas nossa percepção é de um reequilíbrio do mercado já que, paralelamente, verificamos que os custos da construção e da mão-de-obra estão crescendo em um ritmo mais orgânico e que as negociações dos novos terrenos não são realizadas caso não sejam aceitas permutas físicas ou financeiras, que visam diminuir a exposição de caixa do projeto nos seus estágios iniciais”, afirma Joana Silva. Segundo ela, “esse cenário pode contribuir para que, a médio e longo prazos, preços menores sejam praticados sem comprometer os resultados e as margens das incorporadoras e nos faz crer que chegaremos, em breve, a um patamar saudável no mercado de unidades residenciais”.